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Uno Vs Gol - Decisão no conta-gotas

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Texto: Guilherme Silveira

Decisão no conta-gotas

Mecânica compara o consumo do novíssimo Uno Vivace 1.0 com a nova versão do Gol G4, a Ecomotion. Ambos trazem motores Flex evoluídos, econômetro e pneus “verdes”

A Fiat lançou seu esperado compacto, o novo Uno. Com diversos preços e versões, inclusive com motor 1.45, a mais acessível é a Vivace 1.0, que começa em R$ 25.550 (2P) e R$ 27.350 (4P), praticamente sem equipamentos.

Apesar de não ostentar o logotipo Economy dos irmãos Palio e Mille – que indica um pacote para reduzir consumo – o “Unão” é um “pão duro”. Traz econômetro no painel de instrumentos, bem como pneus especiais, com maior concentração de sílica em sua composição. Tudo para deslizar melhor e gastar menos combustível.
   
Do outro lado, lançado praticamente na mesma época do novo Fiat, chega o Gol Ecomotion (inicia em R$ 27.530, 2P e R$ 29.300 4P). Velho conhecido no mercado, o G4, tem alterações mais profundas para economizar combustível, assim com seu irmão o Polo Bluemotion. A começar pela transmissão com diferencial 6,8% mais longo e o econômetro digital com escala de consumo em km/litro (indo de 0 a 30).

Os pneus do Gol são os mesmos ecológicos usados pela versão básica do novo Uno (Bridgestone B 250 Ecopia 165/70 R13) e mais finos em relação aos da versão normal do G4 (175/70 R13).

A maior diferença é que enquanto no Fiat a pressão normal de rodagem é de 28 libras para todos pneus, no VW eles rodam bem cheios: são 39 psi na dianteira e 32 na traseira!

Para tanto, a suspensão firme do Gol teve que ser levemente “amaciada”, lembrando muito o jeitão de rodar do Polo Bluemotion. Porém, sente-se que a suspensão sofre um pouco mais em buracos, por conta dos pneus não absorverem tão bem os impactos.
 
Com preços e propostas parecidas, Fiat e VW se enfrentam num duelo ecologicamente correto: quanto cada um percorre com apenas 10 litros de álcool no tanque?

 
Na verdade este é mais um confronto já tradicional nas páginas de MECâNICA: entre os populares, o mais econômico de todos nossas reportagens de consumo é o Mille Economy (16,49 Km/litro). A caixinha foi batida por pouco pelo “profissional” Polo Bluemotion 1.6. E desta vez, quem será o mais “mesquinho”?

Novo Uno ou Velho Gol?

Para responder com certeza a esta dúvida, fizemos nossa “operação padrão”: carros com tanques devidamente esvaziados até o fim – no Posto da Petrobrás no km 28 da Rodovia dos Bandeirantes – pelo técnico Edgard Iwagoe e pneus calibrados conforme as normas de fábrica. Já que não havia ar-condicionado nos carros avaliados, as janelas do lado esquerdo ficaram abertas quatro dedos.
 
A maior diferença é que neste teste utilizamos aparelhos de GPS para ter a velocidade real dos carros. Assim, reduzimos chances de erros de velocímetro ao manter 80 km/h em aclives, 90 km/h na reta e 100 km/h em declives. Mas com isso a tendência é de um ligeiro aumento no consumo em relação aos testes de consumo já publicados: a velocidade no painel é sempre menor que a real, algo entre 5% e 10%.
 
Na mesma bomba do Posto BR, cada carro recebeu exatos 10 litros de álcool (ao custo de R$ 15,00), e nada mais! Partimos cedo para evitar trânsito e caminhoneiros estressados – o que não ocorreu como esperado - e bastaram alguns quilômetros para ver que a versão Eco do Gol seria um forte oponente para o Uno ( 895 kg do Fiat e 856 kg do Gol).

Embora o Gol tenha câmbio mais longo que o Uno, o acerto de entrega de torque do motor - por meio da recalibração da injeção eletrônica - se mostrou primoroso. A ponto de poder usar a 5ª marcha a 40 km/h, e o Gol continuar ganhando velocidade sem reclamar.

Destaque para as trocas de marchas certeiras do VW. O Fiat tem certa falta de precisão a alavanca de cambio tem curso bem longo entre as marchas.Já o motor Fire 8V renovado do novo Uno (Evo), mesmo atuando em conjunto com câmbio mais curto, mostrava certa sonolência em giros mais baixos. Em subidas chegou a pedir reduções de marchas, geralmente a 4ª.

Voltando ao teste: após fazer o retorno na Bandeirantes para pegar sentido São Paulo – e depois o Rodoanel rumo a Rodovia Castelo Branco – aparece o primeiro pedágio.

Depois de ter parar (o que sempre aumenta o consumo) foi difícil serpentear entre as faixas da direita. Além dos caminhões brigando por cada palmo das três faixas, o assédio de muitos veículos em torno do novo Uno em sua cor “amarelo cheguei” também complicou um rodar livre e suave.

Por sorte isso durou pouco e logo estávamos parando no segundo pedágio, este no Rodoanel pouco antes da Rodovia Castelo Branco. Lá rodamos um trecho razoável, até pararmos num acostamento seguro para a troca dos motoristas. Josias assumiu o volante do Gol, enquanto eu pulei para o Uno.
 
Em poucos quilômetros foi possível notar que o Fiat – agora tendo bielas mais longas no motor, além de comando de válvulas e outros acertos que privilegiam força em rotação mais elevada – não ia bem nas subidas mais acentuadas em baixa velocidade em quinta marcha.

Enquanto isso, o Gol seguia firme, sempre em 5ª. Se o Fiat sofria com ventos laterais por ser mais alto e “quadradinho”, o Gol irritava pela falta de precisão da direção mecânica: pedia correções constantes de trajetória nas retas.

De qualquer forma, conseguimos manter as velocidades estabelecidas, e com 115 km rodados ocorreu a segunda e última troca de motoristas. Incrível a diferença de “peso” entre os dois aceleradores eletrônicos: no Uno, leve em demasia, e no Gol, uma carga mais firme, mas que não chega a cansar o pé direito.

E com 130 km rodados, logo depois do pedágio de Boituva (SP) o Uno parou, gastando os 10 litros de álcool e sem chance de pegar novamente: fez exatos 13 km/litro rodando com álcool. Enquanto isso o Gol continuou a rodar, enquanto o Uno foi reabastecido pela equipe de apoio. Foram mais duas dezenas de km rodados com o Gol, entre compridos aclives e declives. Após um subidão da Castelo, pouco depois da entrada para Tatuí, o Gol deu leves “pipocos” e morreu em seguida, a exatos ??? km rodados.


Com média de 14,4 km/litro de álcool, o VW mostrou que faz jus ao logotipo Ecomotion estampado na tampa traseira. Embora não tenha batido a marca do irmão Polo Bluemotion (com 16,48 Km/litro graças também à alterações aerodinâmicas notáveis e especialmente, cambio ultra-longo, o G4 foi melhor que demais populares, exceto o Uno Mille Economy.
      
A favor do Gol estava sua melhor área frontal, melhorando a penetração aerodinâmica, e pneus mais finos que os do Fiat. “Por conta do Uno ter o kit Celebration, um dos itens opcionais era justamente as rodas 14” com pneus mais largos em 1 cm – os 175/65 R14 em vez dos 165/70 R13, o que também aumenta levemente o consumo. Também atrapalhava o fato do Fiat ter direção hidráulica, outro item deste kit de equipamentos e mais um fator para consumir um pouco mais.

Conclusão
 
Embora o Gol já trouxesse no nome uma indicação de que ele seria páreo duro, os dois 1.0 foram muito bem. Tanto pelo bom desempenho, como também pelo fato deste teste ter sido mais “veloz” que os demais. Se nos outros comparativos rodávamos nos guiando pelo painel, neste levamos em conta a velocidade real do GPS. Desta vez muitas vezes precisávamos beirar 90 km/h do velocímetro, por exemplo, para corresponder a 80 km/ reais no GPS.


E o Gol, mesmo ultrapassado em alguns aspectos – em especial o motor longitudinal – continua a surpreender. O novo Uno, é claro, tem o mérito da vida a bordo interessante, e de ter chamado muita atenção por onde passou.
 



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